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Por que seu time de marketing depende de TI para tudo no site e como mudar isso

Quando o site depende de TI para qualquer atualização, o problema não está nas pessoas e sim na estrutura. Entenda como essa dependência se instala, quanto ela custa e o que fazer para mudar.

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Escrito por Laurielly Rocca

22 JUN 2026 - 09H00

A campanha está pronta. O material foi aprovado. A data de lançamento é amanhã. Falta só atualizar a página do site com as novas informações e colocar a landing page no ar.

O chamado foi aberto na semana passada. TI ainda não respondeu.

Quem trabalha com marketing ou comunicação institucional já viveu alguma versão dessa cena. O nome do sistema de chamados muda, o tamanho da fila muda, o tempo de espera muda. Mas o ciclo é sempre o mesmo: a decisão está tomada, o conteúdo está pronto e a execução está parada esperando uma área que tem outras prioridades, outros projetos e outra lógica de tempo.

Esse ciclo tem nome: dependência técnica. E ele é muito mais caro para a organização do que aparece em qualquer relatório.

Como esse problema se instalou

Ninguém planejou criar esse problema. Ele surgiu gradualmente, como consequência de decisões que faziam sentido individualmente mas que, somadas, produziram uma estrutura disfuncional.

A maioria dos sistemas de gerenciamento de conteúdo foi construída com desenvolvedores como usuários centrais. WordPress, Drupal, soluções headless, todas partem do pressuposto de que quem opera o site tem perfil técnico. A interface, a lógica de funcionamento, a forma de publicar e de organizar o conteúdo foram desenhadas para quem entende de código, de banco de dados, de estrutura de servidor.

O time de marketing entrou depois, como usuário secundário de uma ferramenta que não foi feita para ele. No começo, funcionou razoavelmente, pois o site era simples, as demandas eram poucas, havia alguém técnico disponível para ajudar quando necessário. Com o tempo, o site foi crescendo em complexidade: mais páginas, mais integrações, mais plugins, mais dependências entre sistemas. E cada camada adicionada foi aumentando a barreira técnica para mexer em qualquer coisa.

O que começou como "precisamos de TI para instalar um plugin" virou, com o tempo, "precisamos de TI para mudar uma imagem no cabeçalho". Não porque a imagem ficou mais complexa, mas porque o sistema ao redor dela ficou.

O custo real da dependência técnica

O custo da dependência técnica não aparece em nenhuma linha do orçamento. Não tem rubrica própria, não gera fatura, não é visível em nenhum relatório de despesas. Mas ele está presente em todo lugar, consumindo recurso real de formas que costumam ser atribuídas a outras causas.

O primeiro custo é o tempo perdido em filas de atendimento. Cada solicitação para TI tem um ciclo próprio: abertura de chamado, triagem por prioridade, execução, revisão, entrega. Para uma equipe de marketing que trabalha com campanhas sazonais, datas comemorativas e janelas de oportunidade que existem por dias ou horas, esse ciclo representa valor que simplesmente desaparece. A oportunidade não espera o chamado ser atendido.

O segundo custo é o das campanhas que saem depois do prazo ideal. O lançamento de um produto, a comunicação de uma data comemorativa, a resposta a um movimento do mercado — todos dependem de agilidade. Quando o site precisa de aprovação técnica para qualquer atualização, a comunicação chega atrasada exatamente no momento em que ser rápido mais importa. A campanha sai, mas o pico de atenção já passou.

O terceiro custo é a energia do time gasta em gestão de dependência. Redigir briefings para TI, acompanhar o andamento de chamados, cobrar prazos, revisar entregas e pedir ajustes, todo esse tempo poderia estar sendo usado em estratégia, criação e análise de resultado. Em vez disso, o time de marketing passou a operar parcialmente como gestor de demandas técnicas, função para a qual não foi contratado e que não agrega valor ao negócio.

O quarto custo, frequente em organizações de médio porte, é a agência contratada como solução paliativa. Quando TI não tem disponibilidade para atender as demandas de marketing com a agilidade necessária, muitas organizações terceirizam a manutenção do site para uma agência. A agência cobra por hora, tem sua própria fila de prioridades e adiciona mais uma camada de intermediação entre a decisão de marketing e a execução no site. O custo mensal existe, a dependência continua e o controle sobre o canal segue fora das mãos de quem o opera.

Por que TI não é o vilão dessa história

Seria fácil (e equivocado) ler até aqui e concluir que o problema é a equipe de TI. Não é.

TI tem uma função crítica dentro de qualquer organização: infraestrutura, segurança, sistemas de negócio, integrações, continuidade operacional. É uma área com demandas reais, com backlog real, com projetos que impactam diretamente a operação da empresa. O site de comunicação e marketing é um item dentro de uma lista longa de responsabilidades que não foi construída em torno das prioridades de campanha.

Quando o marketing entra na fila de TI, está competindo por atenção com demandas que, da perspectiva de TI, têm o mesmo peso ou mais. Não é má vontade, mas sim estrutura. O problema não está nas pessoas, está no fato de que o site de comunicação foi parar dentro de uma fila que não é a adequada para ele.

A solução não é pressionar mais TI, não é contratar mais pessoas em TI e não é criar um processo de priorização de chamados de marketing. A solução é retirar o site de comunicação e marketing dessa fila e colocá-lo nas mãos de quem entende do negócio que ele precisa comunicar.

O que autonomia real significa na prática

Autonomia de marketing sobre o site não significa que TI sai da equação. Significa que as decisões de comunicação podem ser executadas pela própria equipe de marketing, sem abrir chamado, sem esperar aprovação técnica, sem depender de alguém que não entende de comunicação para colocar a decisão no ar.

TI continua responsável pelo que é de TI: infraestrutura, segurança, integrações críticas de sistema, arquitetura tecnológica. O que muda é que o site de comunicação deixa de ocupar a fila técnica para decisões que não são técnicas. Publicar uma landing page de campanha não é uma decisão técnica. Atualizar o texto de uma página de produto não é uma decisão técnica. Criar uma nova seção para um evento não é uma decisão técnica. São decisões de comunicação, e precisam estar nas mãos de quem entende de comunicação.

Na prática, autonomia real significa que o time de marketing consegue criar e publicar uma landing page do zero sem precisar de nenhuma ajuda externa. Significa poder atualizar textos, imagens e calls-to-action no tempo da campanha, não no tempo do chamado. Significa lançar um novo evento ou produto com página própria sem abrir projeto. Significa ajustar a comunicação de uma área específica do site sem que isso exija um desenvolvedor. Significa publicar conteúdo com a frequência que a estratégia editorial pede, não com a frequência que a fila técnica permite.

Esse nível de controle não é um luxo. É o que permite que o site funcione como canal de comunicação real, alinhado com o que está acontecendo no negócio.

Como saber se o seu site foi feito para marketing ou para TI

Antes de qualquer decisão de mudança, vale fazer um diagnóstico honesto de onde a organização está. Algumas perguntas ajudam a tornar esse diagnóstico concreto.

Quando o time de marketing precisa publicar uma página nova, qual é o primeiro passo? Se a resposta envolver contatar outra área, abrir chamado ou enviar briefing para alguém de fora do marketing, o site foi construído para TI operar — não para marketing.

Quanto tempo leva, em média, entre a decisão de publicar algo e a publicação efetiva? Para atualizações simples (um texto, uma imagem, um link) se o tempo é medido em dias, há uma dependência técnica instalada que está consumindo agilidade da equipe.

Quantas pessoas fora do time de marketing precisam estar envolvidas para que uma atualização básica no site aconteça? Cada intermediário é um ponto de atrito, um risco de atraso e uma oportunidade de o contexto original da demanda se perder no caminho.

O time de marketing consegue criar uma landing page do zero, sem nenhuma ajuda externa, no tempo de uma campanha? Se não, a ferramenta não foi construída para esse perfil de usuário operar.

As respostas a essas perguntas mostram, com clareza, se o site é um ativo operado pelo time ou uma infraestrutura que o time acessa mediante solicitação.

O que mudar e por onde começar

O caminho de mudança depende do diagnóstico. Nem sempre o problema é a ferramenta. Às vezes, é o processo.

Em algumas organizações, o CMS tem capacidade de ser operado pelo time de marketing, mas a estrutura ao redor não foi montada para isso: os acessos não foram concedidos, o time não foi capacitado, a cultura de "passar por TI" se instalou por hábito e ninguém a questionou. Nesse caso, a mudança começa internamente, com um projeto de capacitação, redistribuição de responsabilidades e um acordo claro sobre o que é decisão técnica e o que é decisão de comunicação.

Em outras organizações, a ferramenta é estruturalmente limitante. Foi construída para desenvolvedores e não oferece uma interface que o time de marketing consiga operar com autonomia real — não importa o quanto se invista em capacitação. Nesse caso, a conversa sobre mudança de plataforma precisa acontecer. E os critérios de avaliação precisam incluir, desde o início, uma pergunta que frequentemente fica de fora: quem vai operar isso no dia a dia? Se a resposta é o time de marketing e comunicação, a ferramenta precisa ter sido construída para esse perfil.

Em ambos os cenários, o critério central é o mesmo: o site foi feito para quem vai usá-lo? Não adaptado depois, não com um plugin que facilita um pouco, não com um tutorial de como contornar a limitação. Construído, desde a base, para que quem entende do negócio possa operá-lo sem depender de quem entende de tecnologia.

Conclusão

Um site de comunicação que depende de TI para cada atualização não é um ativo de marketing. É uma dívida operacional que se paga em velocidade perdida, oportunidades atrasadas e energia do time gasta no lugar errado.

A organização que resolve essa dependência não ganha apenas agilidade. Ganha a capacidade de usar o site como canal real de comunicação: um canal que responde ao mercado, às campanhas e às oportunidades no tempo em que elas existem, não no tempo em que a fila técnica permite.

O site é um canal de comunicação. Precisa estar nas mãos de quem comunica.

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